Nutrição adequada a mulheres com doença oncológica: como a alimentação pode ajudar durante e após o tratamento
Receber um diagnóstico de doença oncológica pode trazer muitas dúvidas, e a alimentação é frequentemente uma das primeiras preocupações: “O que devo comer?”, “Há alimentos que devo evitar?”, “A alimentação pode ajudar durante o tratamento?”
A resposta não é igual para todas as mulheres, uma vez que, as necessidades nutricionais dependem do tipo de cancro, da fase da doença, do tratamento realizado, do estado nutricional, do peso corporal e da sintomatologia.
No entanto, a evidência científica aponta para alguns princípios gerais e para a importância de uma alimentação nutricionalmente adequada, variada e baseada sobretudo em alimentos pouco processados, com especial destaque para frutas, hortícolas, leguminosas, cereais integrais, frutos oleaginosos, peixe e azeite.
- A alimentação deve ser adaptada à fase do tratamento
Uma das ideias mais importantes quando falamos de nutrição na doença oncológica é que não existe uma dieta universal para todos os indivíduos.
Dependendo do tratamento, o principal objetivo nutricional pode ser evitar a perda de peso e de massa muscular ou controlar o ganho ponderal, trabalhando a composição corporal.
Para definir os objetivos da intervenção nutricional e estabelecer a estratégia nutricional, deve ser realizada uma avaliação do estado nutricional, o mais cedo possível, e monitorização dependendo da situação clínica. Esta avaliação engloba parâmetros como alterações ponderais, composição corporal, sintomatologia com impacto nutricional, ingestão alimentar, entre outros.
Uma avaliação nutricional completa permite elaborar uma intervenção nutricional adequada às necessidades nutricionais e situação clínica de cada indivíduo, pelo que não é aconselhável iniciar dietas restritivas por iniciativa própria durante tratamentos como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou cirurgia.
- Dieta Mediterrânica como padrão alimentar
De uma forma geral, a Dieta Mediterrânica é o padrão alimentar de referência antes, durante a após uma doença oncológica.
A Dieta Mediterrânica é um padrão alimentar característico dos países mediterrânicos caracterizada por:
- Consumo abundante de alimentos de origem vegetal (produtos hortícolas, fruta, cereais pouco refinados, leguminosas frescas e secas, frutos secos e oleaginosos);
- Consumo de produtos frescos regionais, pouco processados e sazonais;
- Utilização do azeite como principal fonte de gordura;
- Consumo moderado de laticínios, sobretudo queijo e iogurte;
- Consumo baixo e pouco frequente de carnes vermelhas;
- Consumo frequente de pescado;
Em contrapartida, recomenda-se limitar o consumo de carnes processadas, alimentos ultraprocessados, produtos ricos em açúcar, sal e bebidas alcoólicas.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 encontrou uma associação entre uma maior adesão à dieta mediterrânica e uma menor mortalidade global em pessoas com doença oncológica.
Nos estudos específicos sobre cancro da mama, a maior adesão esteve também associada a melhores resultados de sobrevivência, embora seja importante reconhecer que grande parte da evidência disponível é observacional.
Outra grande revisão sistemática e meta-análise, envolvendo mais de 3,2 milhões de participantes, encontrou associações favoráveis entre uma maior adesão à dieta mediterrânica e uma menor mortalidade por cancro, bem como melhores resultados em diferentes tipos de cancro.
Na prática, o que significa?
Em vez de nos focarmos nos alimentos que devemos restringir e procurar dietas restritivas, devemos focar em construir refeições equilibradas que estejam alinhadas com a dieta mediterrânica.
Para tal, devemos olhar para a constituição do prato às refeições principais.
Idealmente, a refeição deve ser iniciada com uma sopa composta por diferentes hortícolas e o prato deve ser dividido em forma de T, por exemplo:
- ½ do prato: hortícolas frescos ou cozinhados.
- ¼ do prato: Componente proteica, como carnes magras, ovos, pescado ou leguminosas.
- ¼ do prato: arroz, massa, batata, preferencialmente nas suas versões integrais.
A refeição deve ser cozinhada e/ou temperada com quantidades moderadas de azeite e a sobremesa preferencial deve ser a fruta da época fresca.
- Garanta um aporte proteico adequado
A proteína assume particular importância durante a doença oncológica.
A perda de peso e, sobretudo, a perda de massa muscular podem acontecer durante o percurso natural da doença e durante os tratamentos. Por isso, é importante garantir uma ingestão adequada de proteína e energia.
As recomendações da ESPEN indicam uma ingestão proteica superior a 1 g/kg de peso corporal por dia, podendo chegar a cerca de 1,5 g/kg/dia, quando possível e clinicamente apropriado.
Para atingir estas necessidades proteicas, procure incluir diferentes fontes de proteína ao longo do dia.
Alguns exemplos são:
- Peixe;
- Ovos;
- Frango e outras carnes magras;
- Iogurte e queijo;
- Leite;
- Feijão;
- Grão;
- Lentilhas;
- Tofu e outros alimentos à base de soja;
- Frutos oleaginosos.
A quantidade necessária, contudo, deve ser individualizada.
- Fibra alimentar como aliada
Os alimentos de origem vegetal devem ocupar um lugar importante na alimentação, sempre que forem bem tolerados. A Dieta Mediterrânica assume um elevado consumo de hortícolas, frutas, leguminosas e cereais integrais, fornecendo fibra, vitaminas, minerais e diversos compostos bioativos. Estes nutrientes estão associados a efeitos benéficos a nível metabólico, anti-inflamatórios e cardioprotetores.
Uma meta-análise em mulheres com cancro da mama encontrou uma associação entre um maior consumo de fibra alimentar e uma menor mortalidade global e específica por cancro da mama. Estudos epidemiológicos demonstram ainda uma forte associação entre um consumo elevado de fibra e a diminuição da mortalidade no cancro da mama, através do seu papel na concentração de estrogénios em circulação. No entanto, estes dados são principalmente provenientes de estudos de coorte e não significam que a fibra, isoladamente, seja responsável por esses resultados.
A fibra pode ser obtida através da ingestão diária de alimentos como:
- Aveia;
- Pão integral;
- Arroz integral;
- Feijão e grão;
- Lentilhas;
- Fruta inteira e de preferência, com casca;
- Hortícolas variadas;
- Frutos oleaginosos.
Nota: Em algumas fases do tratamento, sobretudo perante diarreia, determinadas alterações gastrointestinais ou indicação clínica específica, uma alimentação temporariamente pobre em fibra pode ser necessária. Nestas situações, a recomendação deve ser individualizada.
- O peixe pode ser uma boa escolha
O peixe é uma fonte importante de proteína e, dependendo da espécie, de ácidos gordos ómega-3. Estes ácidos gordos estão associados a capacidades anti-inflamatórias, com papel importante na supressão de alguns marcadores cancerígenos.
Uma revisão sistemática e meta-análise realizada em sobreviventes de cancro encontrou uma associação entre maior consumo de peixe e uma menor mortalidade global. Pode optar por espécies como:
- Sardinha;
- Cavala;
- Salmão;
- Carapau;
- Pescada;
Uma alimentação alinhada com a Dieta Mediterrânica prevê um consumo frequente de pescado, um importante aliado durante a doença oncológica.
- E os alimentos à base de soja?
A soja é frequentemente alvo de dúvidas, sobretudo no cancro da mama, devido à presença de isoflavonas, que ativam os recetores de estrogénios.
A evidência disponível não justifica a eliminação automática dos alimentos tradicionais à base de soja da alimentação. Uma revisão sistemática e meta-análise encontrou associações entre o consumo de soja/isoflavonas e alguns resultados favoráveis relacionados com sobrevivência e recorrência do cancro da mama, embora os resultados variem consoante o momento do consumo e o tipo de resultado analisado.
Alimentos como tofu, tempeh, bebida de soja ou edamame podem, portanto, fazer parte de uma alimentação equilibrada, salvo indicação clínica individual em contrário.
É importante distinguir, contudo, alimentos compostos por soja, de suplementos concentrados de isoflavonas. Estes últimos não devem ser utilizados sem avaliação profissional.
- Evite o álcool
Apesar dos princípios da Dieta Mediterrânica considerarem o consumo moderado de vinho tinto como adequado, na doença oncológica, o álcool merece uma atenção especial.
Uma meta-análise sobre alimentação e sobrevivência em pessoas previamente diagnosticadas com doença oncológica encontrou uma associação entre um maior consumo de álcool e uma maior mortalidade global. Além disso, o consumo de álcool está relacionado com o risco de desenvolvimento de vários tipos de cancro.
Assim, particularmente durante e após o tratamento, a opção mais prudente é evitar o consumo de bebidas alcoólicas ou reduzi-lo ao mínimo possível.
- Não é altura para dietas extremamente restritivas
Perante um diagnóstico de cancro, é frequente surgirem recomendações na internet sobre dietas “anticancro”, jejuns, dietas cetogénicas ou exclusão de grupos alimentares.
Uma revisão sistemática que avaliou 252 ensaios clínicos randomizados sobre intervenções alimentares em pessoas com cancro encontrou uma grande diversidade de estratégias, populações e resultados, mostrando que a evidência não permite recomendar uma única dieta universal para todos os doentes oncológicos.
Durante o tratamento, uma dieta demasiado restritiva pode dificultar o consumo adequado de energia e proteína, afetando o estado nutricional da pessoa e eficácia dos tratamentos.
O objetivo não deve ser comer o mínimo possível, mas sim comer de forma adequada às necessidades do organismo.
- Se houver perda de peso, o objetivo pode ser diferente
A perda de peso involuntária é um sintoma que merece atenção redobrada. Em determinadas situações, o tratamento pode provocar:
- Náuseas e vómitos;
- Falta de apetite (anorexia);
- Alterações do paladar (disgeusia);
- Boca seca (Xerostomia);
- Feridas na boca;
- Dificuldade em engolir;
- Diarreia;
- Obstipação.
Estes sintomas podem afetar a normal ingestão alimentar da pessoa, traduzindo-se por vezes numa perda de peso involuntária.
As recomendações da ESPEN salientam precisamente a importância de avaliar sintomas com impacto nutricional e de planear uma intervenção precoce, quando existe risco nutricional.
Quando existe desnutrição ou risco de desnutrição, o Acompanhamento Nutricional é essencial, podendo ser necessário o recurso a suplementos nutricionais orais (SNO) para aumentar o aporte nutricional.
- E se existir excesso de peso?
A recomendação também não deve ser simplesmente “perder peso”.
Com os avanços tecnológicos e a deteção cada vez mais precoce do cancro da mama, prevê-se que mais de 90% dos sobreviventes vivam pelo menos 5 anos após o diagnóstico. Entre 50-96% das mulheres diagnosticadas com cancro da mama sofrem um aumento ponderal nos primeiros dois anos após o diagnóstico.
Este aumento ponderal pode contribuir para o aumento de fatores de risco cardiovasculares e de desenvolvimento de Diabetes Mellitus Tipo 2, pelo que promover uma perda de peso é benéfico para melhorar vários indicadores metabólicos e de composição corporal.
Desta forma, programas integrados de perda de peso associados a exercício físico adequado demonstram-se benéficos para melhorias na composição corporal e na sobrevivência após diagnóstico de doença oncológica.
- A importância da hidratação
A hidratação é frequentemente esquecida quando se fala de nutrição. Água deve ser a bebida de eleição, salvo indicação clínica diferente.
Durante alguns tratamentos, pode ser necessário adaptar a quantidade e a forma de ingestão de líquidos devido a sintomas como vómitos, diarreia, náuseas ou dificuldade em beber.
Uma estratégia simples pode ser ingerir pequenas quantidades de líquidos ao longo do dia, em vez de esperar pela sensação de sede.
- E os suplementos alimentares?
Por vezes pensa-se que “Natural” é sinónimo de “seguro”, no entanto, este não é o caso.
Durante o tratamento oncológico, a utilização de suplementos, plantas medicinais ou produtos concentrados deve ser discutida com o médico ou nutricionista. Alguns produtos podem ter efeitos farmacológicos ou constituir interações medicamentosas. Por isso, antes de iniciar qualquer suplemento, pergunte à equipa que acompanha o seu tratamento.
- Alimentação e exercício: duas peças do mesmo puzzle
A alimentação não deve ser analisada isoladamente. Quando a condição clínica permite, a atividade física é uma componente importante dos cuidados à pessoa com doença oncológica.
A combinação de alimentação adequada, atividade física adaptada, sono e acompanhamento clínico pode contribuir para preservar a função física e a qualidade de vida.
Em particular, a manutenção da massa muscular é uma preocupação relevante, o que torna o exercício de força, quando autorizado pela equipa clínica, uma ferramenta importante.
Afinal, o que deve comer uma mulher com doença oncológica?
De uma forma simples, e quando não existem contraindicações específicas, podemos resumir os principais princípios da alimentação.
Deve privilegiar os seguintes grupos alimentares:
- Hortícolas: várias cores e diferentes tipos ao longo da semana.
- Fruta: preferencialmente fruta inteira em vez de sumos.
- Leguminosas: feijão, grão, lentilhas e ervilhas.
- Cereais integrais: aveia, pão integral, arroz integral e outros.
- Peixe: incluindo peixe gordo regularmente.
- Proteína: peixe, ovos, carnes magras, lacticínios e alternativas vegetais.
- Gorduras saudáveis: principalmente azeite, frutos oleaginosos e sementes.
- Água: como principal bebida.
Deve limitar a ingestão de:
- Carnes processadas: como enchidos e carnes fumadas.
- Produtos ultraprocessados: especialmente quando ricos em açúcar, sal e gordura.
- Bebidas açucaradas: refrigerantes e outras bebidas com elevado teor de açúcar.
- Álcool: idealmente evitar.
A alimentação pode ter um papel muito importante no acompanhamento da pessoa com doença oncológica, mas é essencial evitar promessas exageradas e não cair na falácia de que existe uma dieta “anti-cancro” ou que um alimento isolado cura o cancro.
A evidência científica aponta sobretudo para a importância de um padrão alimentar globalmente saudável, adequado às necessidades individuais e ajustado aos efeitos secundários do tratamento.
As revisões sistemáticas mais recentes sugerem que padrões alimentares de maior qualidade, incluindo a dieta mediterrânica, estão associados a melhores resultados de saúde em sobreviventes de cancro.
O mais importante é não procurar uma dieta perfeita, mas construir uma alimentação adequada, sustentável e ajustada à realidade de cada mulher.
Quando deve procurar ajuda de um nutricionista?
O acompanhamento por um nutricionista pode ser especialmente importante quando se verificar:
- Perda de peso involuntária;
- Falta de apetite (anorexia);
- Dificuldade em comer;
- Náuseas ou vómitos persistentes;
- Diarreia ou obstipação;
- Dificuldade em engolir;
- Alterações importantes do paladar (disgeusia);
- Perda de massa muscular;
- Excesso de peso ou ganho de peso significativo;
- Necessidade de adaptar a alimentação ao tratamento.
Quanto mais cedo forem identificados problemas nutricionais, maior a possibilidade de intervir de forma adequada.
A alimentação durante e após o tratamento oncológico deve ser encarada como parte integrante dos cuidados de saúde, pelo que procurar acompanhamento nutricional personalizado é essencial.
Uma mulher a realizar o seu tratamento de quimioterapia com perda de peso e falta de apetite terá necessidades muito diferentes de uma mulher que terminou o tratamento e pretende melhorar a composição corporal e reduzir o risco cardiovascular.
Por isso, a melhor estratégia é combinar a evidência científica com uma avaliação individualizada.
No CLUBE18, acreditamos que cuidar da saúde significa olhar para a pessoa como um todo. A alimentação, o exercício físico e o acompanhamento dos diferentes profissionais de saúde podem desempenhar papéis complementares ao longo do percurso de recuperação e manutenção da saúde.
Joana Vilas
Nutricionista
CP Nº. 6655N
- He, X., Hou, J., Liu, L., Chen, X., Zhang, L., Pang, C., Tong, Y., Li, H., Chen, F., Peng, R., & Shi, Z. (2025). Dietary fiber consumption and outcomes of different cancers: An umbrella review. Food & Nutrition Research, 69, Artigo 11034. https://doi.org/10.29219/fnr.v69.11034
- Muscaritoli, M., Arends, J., Bachmann, P., Baracos, V., Barthelemy, N., Bertz, H., Bozzetti, F., Hütterer, E., Isenring, E., Kaasa, S., Krznaric, Z., Laird, B., Larsson, M., Laviano, A., Mühlebach, S., Oldervoll, L., Ravasco, P., Solheim, T. S., Strasser, F., … Bischoff, S. C. (2021). ESPEN practical guideline: Clinical nutrition in cancer. Clinical Nutrition, 40(5), 2898–2913. https://doi.org/10.1016/j.clnu.2021.02.005
- Nucci, D., Ragusa, F. S., Veronese, N., Brunello, A., Laviano, A., Volpe, M., Maggi, S., Onder, G., Silano, M., Zanetti, M., Alonzo, E., Crudele, L., Fichera, M., Giussani, C., Misotti, A., Paolini, B., & Gianfredi, V. (2026). Mediterranean diet in cancer patients’ survival: A systematic review and meta-analysis for tertiary prevention featured in the Italian National Guidelines “La Dieta Mediterranea”. Nutrition, 145, Artigo 113071. https://doi.org/10.1016/j.nut.2025.113071
- Qiu, S., & Jiang, C. (2019). Soy and isoflavones consumption and breast cancer survival and recurrence: A systematic review and meta-analysis. European Journal of Nutrition, 58(8), 3079–3090. https://doi.org/10.1007/s00394-018-1853-4
- Schwingshackl, L., Schlesinger, S., & Hoffmann, G. (2017). Adherence to Mediterranean diet and risk of cancer: An updated systematic review and meta-analysis. Nutrients, 9(10), Artigo 1063. https://doi.org/10.3390/nu9101063
- Trauchburg, A., Schwingshackl, L., & Hoffmann, G. (2023). Association between dietary indices and dietary patterns and mortality and cancer recurrence among cancer survivors: An updated systematic review and meta-analysis of cohort studies. Nutrients, 15(14), Artigo 3151. https://doi.org/10.3390/nu15143151
- Wang, S., Liu, Z., Liu, L., Zhang, Y., & Li, Q. (2022). Benefits of weight loss programs for breast cancer survivors: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Supportive Care in Cancer, 30(5), 4565–4577. https://doi.org/10.1007/s00520-022-06830-4
- Yang, L., Zhang, X., Lu, Z., & Chen, Y. (2020). Dietary fiber and survival in women with breast cancer: A dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. Nutrition and Cancer, 73(10), 1838–1847. https://doi.org/10.1080/01635581.2020.1803928